sábado, 18 de novembro de 2017
15/08/2017
Essa semana completou-se 3 meses da minha tentativa de suicídio. 3 meses que tive que lidar com olhares, comentários, julgamentos, afastamentos, dentre tantos pensamentos reflexivos e traiçoeiros que se passaram pela minha mente. 3 meses em que eu não estava mais aguentando ser eu mesma, onde tudo parecia tão sem sentido e importância. 3 meses que eu me sentia usada pelas pessoas só quando elas realmente precisavam de mim. 3 meses que eu ouvi palavras que cortavam a minha alma e o meu pulso. 3 meses que eu me senti e fui traída por quem amo. 3 meses que me senti abandonada, sozinha, inútil. 3 meses que de tanto ouvir que eu não servia pra nada, que eu finalmente acreditei. 3 meses em que eu me senti engolida pela ansiedade, medo e talvez coragem. 3 meses que eu tentei segurar o mundo alheio e deixei o meu se destruir. 3 meses de desmotivação. 3 meses que queria sair de dentro de mim mesma. 3 meses que eu queria desconhecer pessoas e acontecimentos, na verdade, eu queria recomeçar do zero, ou simplesmente parar de sentir toda aquela dor que eu suportava sozinha e sorrindo. Há três meses atrás eu senti tudo isso, e não suportei. Eu queria sumir, fugir, me anestesiar.
Aconteceu. Por 24 horas aquela dor sumiu. Minha pulsação parou. Minha consciência se diluiu, e eu pude sentir a morte de perto. Mas no dia seguinte eu acordei, sem entender nada. Eu acordei com o olhar triste e preocupado de minha mãe. Eu acordei com o olhar de consciência pesada da minha avó. Eu acordei com o afeto e medo da minha tia. Eu acordei com mensagens do meu namorado me julgando fraca por passar por tudo que passei, por tudo que fiz. Eu acordei com mensagens preocupadas das minhas amigas, afinal elas sempre me viam feliz e descontraída e não entenderam o porquê da minha atitude. Eu sempre tentei explicar, mas nunca consegui. Eu tentei seguir nas semanas seguintes como se nada tivesse acontecido, e consegui mostrar isso pra todos a minha volta. Mas pra mim, aquele inferno não tinha acabado. Era, e ainda é uma luta acordar e batalhar todo dia com meu próprio eu. É uma guerra lidar com minha instabilidade emocional e como isso afeta os meus relacionamentos. É difícil não ter real compreensão e importância de pessoas que são diretamente ligadas a mim. Eu poderia citar dezenas de coisas que se tornaram ainda mais difíceis pra mim depois de tudo que aconteceu. Mas o que realmente importa é que agora eu tô viva escrevendo esse texto. E por mais que eu esteja passando por um abate emocional, por mais que eu pense em desistir de novo, por mais que eu esteja passando por inúmeras decepções, a cada inspiração de oxigênio e batimento cardíaco é um impulso pra continuar a batalhar todos os dias. Todo dia 15 é dia de celebrar a vida e a força que eu tenho através das experiências que ela me trouxe.
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